Santos Graça traça um retrato admirável da vida dos pescadores com a solidariedade, esforço e abnegação desta gente que após mais uma jornada no mar soltava o grito ala-arriba, símbolo da sua força interior. Mas a Póvoa também é cultura. O Diana Bar, com as suas famosas tertúlias, está sempre presente quando se fala de literatura nesta cidade, mas a Rua dos Cafés, com o seu quiosque, era a porta aberta para o Mundo de Aventuras, O Condor e o Janeirinho com o “Príncipe Valente”. Na Rua da Junqueira tomámos contacto com a Póvoa de Alexandre Pinheiro Torres plasmada na Ilha do Desterro, O Adeus às Virgens e Vai Alta a Noite. Seguindo pela Rua Manuel Silva, o espírito poveiro, tenaz e minucioso, está patente na figura mágica do relojoeiro que nos encantou no passado e trouxe essa magia até ao presente. O Cine-Teatro Garrett, no final da Rua Santos Minho, das inesquecíveis matinés, passou a porto de entrada e largada da Arte Literária para o Mundo.
Como os seus de outros tempos, à Póvoa de Varzim e aos seus pescadores de Letras, ala-arriba Correntes d’ Escritas.